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Uma campanha solidária - reportagem

"Então D. Manuela, hoje não toma café?” – Virgínia Henriques observa, através da janela, uma cliente que passa na rua, e não hesita em abordá-la. Abriu aquele pequeno café há menos de dois meses, com o apoio da Campanha País Solidário, e já tem clientes habituais que não dispensam a sua sopa caseira ou os salgados.

 

Depois de, durante três anos, ter enfrentado um problema de saúde que a impediu de trabalhar, Virgínia decidiu que era altura de voltar ao activo. Tinha sido auxiliar de acção educativa e empregada de café, e começou a tentar encontrar trabalho nessas áreas, sem sucesso. O ordenado do marido, como motorista de um hospital, era insuficiente para pagar todas as despesas e criar os dois filhos, por isso Virgínia decidiu que não iria cruzar os braços.

 

“Um dia veio ter connosco e mostrou-nos um projecto com orçamentos e tudo o que era necessário para a abertura de um café que já tinha em vista, tudo feito por ela”, explica Luísa Coelho, responsável da Cáritas Paroquial da Arrentela, que tem acompanhado desde o início este processo. Mas não tem sido fácil. “Estou a pagar aos poucos as obras que tive de fazer antes de abrir e as bebidas que tenho em stock, mas, apesar das dificuldades, não me deixo vencer. Não sei bem de onde vem esta força, mas acho que é do amor que tenho pelo meu marido e pelos meus filhos”, explica Virgínia, que aos 48 anos assegura que se sente “realizada” profissionalmente.Ao café que abriu chamou “O Meu Sonho”.

 

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in Campanha País Solidário 24-02-2010